As buscas sobre o envolvimento de Jair Bolsonaro em um plano para assassinar Lula dispararam no Google após uma iniciativa do deputado André Janones. A mobilização trouxe novamente à tona as investigações da trama golpista de 2022, que resultaram na condenação do ex-presidente pelo STF.
© Getty / por Notícias ao Minuto Por srs
Política / Eleições 2026
As investigações sobre o plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltaram a despertar grande interesse dos brasileiros nesta terça-feira (20). A expressão “Bolsonaro mandou matar Lula” disparou nas pesquisas do Google após uma iniciativa do deputado federal André Janones (Rede-MG) para ampliar a divulgação do caso.
Segundo levantamento publicado pelo jornal DCI, com base em dados do Google Trends, o interesse pela expressão cresceu mais de 5.000%. A mobilização trouxe novamente ao debate público as descobertas da Polícia Federal sobre o plano “Punhal Verde e Amarelo”, investigado no âmbito da tentativa de golpe de Estado de 2022
.
O caso envolve um plano para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Jair Bolsonaro tinha conhecimento da trama e havia concordado com o planejamento. A defesa do ex-presidente nega qualquer envolvimento.
A existência do plano foi documentada durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado de 2022. Mas qual foi a participação atribuída a Jair Bolsonaro? O ex-presidente chegou a ordenar o assassinato de Lula? E o que decidiu a Justiça?
Por que a expressão viralizou no Google?
O aumento das pesquisas aconteceu depois que André Janones incentivou integrantes do grupo “Exército do Lula”, no WhatsApp, a procurar no Google a expressão que relaciona Jair Bolsonaro a um plano para matar o presidente.
A mobilização tinha como objetivo ampliar a circulação de informações sobre as investigações da tentativa de golpe de Estado.
A iniciativa ganhou repercussão nas redes sociais e provocou um crescimento expressivo no volume de pesquisas relacionadas ao assunto.
Janones coordena ações digitais de apoio à campanha de reeleição de Lula e administra o canal “Exército do Lula”, que reúne milhões de seguidores.
O que foi o plano para assassinar Lula?
A investigação que voltou a repercutir está relacionada ao chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, identificado pela Polícia Federal durante as apurações sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições presidenciais de 2022.
Segundo os investigadores, o planejamento previa ações para assassinar o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes.
O documento foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, que ocupava um cargo na Secretaria-Geral da Presidência da República durante o governo Bolsonaro.
De acordo com a investigação, o plano foi impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022.
Naquele mesmo dia, Mário Fernandes esteve no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, conforme registros de entrada identificados pela Polícia Federal.
O documento previa a utilização de diferentes métodos para eliminar as autoridades, incluindo explosivos, armas de fogo e envenenamento.
As investigações também identificaram atividades de monitoramento dos possíveis alvos e discussões sobre a execução das ações.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o planejamento não foi colocado em prática porque seus responsáveis não conseguiram obter, na última hora, o apoio necessário do comando do Exército.
Bolsonaro sabia do plano para matar Lula?
Na denúncia apresentada ao STF em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República afirmou que Jair Bolsonaro tinha conhecimento do plano de assassinato e teria concordado com sua execução.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou que o documento foi apresentado ao então presidente.
“O plano foi arquitetado e levado ao conhecimento do Presidente da República, que a ele anuiu”, afirmou a PGR.
A acusação também apontou que Bolsonaro teria acompanhado o desenvolvimento das ações e as discussões sobre uma possível data para colocá-las em prática.
“A ciência do plano pelo presidente da República e sua anuência a ele são evidenciadas por diálogos posteriores, comprobatórios de que Jair Bolsonaro acompanhou a evolução do esquema e a possível data de sua execução integral”, escreveu Gonet.
A defesa de Bolsonaro negou que o ex-presidente tivesse participado ou autorizado qualquer planejamento para assassinar autoridades.
As alegações da PGR sobre conhecimento e concordância também foram objeto de questionamentos sobre a força das provas apresentadas.
Bolsonaro foi condenado por mandar matar Lula?
Jair Bolsonaro não recebeu uma condenação específica por tentativa de homicídio contra Lula, nem há comprovação pública de que tenha dado uma ordem direta para assassinar o presidente.
A distinção é importante porque ter conhecimento de um plano, concordar com ele e ordenar diretamente um assassinato são condutas diferentes.
Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.
Os crimes foram:
Organização criminosa armada;
Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
Golpe de Estado;
Dano qualificado contra o patrimônio público;
Deterioração de patrimônio tombado.
O julgamento terminou com quatro votos favoráveis à condenação e um voto divergente, apresentado pelo ministro Luiz Fux.
Na decisão, Bolsonaro foi considerado o líder da organização criminosa envolvida na tentativa de impedir a posse de Lula após as eleições de 2022.
O que aconteceu com os militares envolvidos no plano?
A investigação da Polícia Federal identificou a participação de militares ligados às Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”, no planejamento de ações violentas contra autoridades.
Esses investigados foram incluídos no chamado Núcleo 3 da trama golpista.
Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou nove dos dez réus desse grupo. Um deles, o general da reserva Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, foi absolvido por insuficiência de provas.
Entre os condenados estão militares e um agente da Polícia Federal.
O julgamento considerou a participação dos acusados em diferentes atividades, incluindo o planejamento de ações violentas, o monitoramento de autoridades e articulações para obter apoio à ruptura institucional.
Nem todos os condenados receberam as mesmas penas ou foram responsabilizados pelos mesmos crimes.
O STF reconheceu diferentes graus de participação dos integrantes do grupo, inclusive com o enquadramento de dois réus em delitos menos graves.
Qual é a situação de Jair Bolsonaro atualmente?
Depois da condenação, Bolsonaro começou a cumprir a pena em novembro de 2025.
O ex-presidente foi inicialmente mantido sob custódia da Polícia Federal e posteriormente transferido para uma unidade da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como Papudinha.
Em 2026, passou a cumprir a pena em prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo STF por questões de saúde.
Em outubro, a defesa apresentou um pedido de revisão criminal para tentar anular a condenação de 27 anos e três meses.
Os advogados alegaram a existência de novos elementos que justificariam a reavaliação do processo e solicitaram a suspensão do cumprimento da pena durante a análise do pedido.
Google também virou alvo de questionamentos
A repercussão da expressão levou a questionamentos sobre os resultados apresentados pelo Google.
Em reportagem publicada nesta terça-feira (20), o ICL Notícias informou que, ao pesquisar a frase “Bolsonaro mandou matar o Lula”, não recebeu um resumo automático da ferramenta de inteligência artificial do buscador.
Segundo o veículo, o recurso apareceu em consultas semelhantes, nas quais o nome de Bolsonaro foi substituído pelo de outras pessoas.
O ICL também observou que um dos primeiros resultados apresentados era uma reportagem crítica à iniciativa de André Janones.

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