Presidente participou de manifestação em São Paulo neste domingo (11), ao lado de ministros, governadores e representantes de movimentos estudantis. Durante o evento, Lula pediu aos apoiadores que procurassem eleitores que não votaram no primeiro turno e apresentou propostas para um eventual novo mandato
© Ricardo Stuckert / Notícias ao Minuto / srs
Política / Avenida Paulista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu uma multidão de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11), durante uma manifestação em apoio à sua candidatura à reeleição. No discurso, o petista pediu que a militância intensifique a mobilização para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Batizado de Marcha pela Democracia, o ato reuniu estudantes, artistas, movimentos sociais e lideranças políticas. A concentração começou por volta das 11h, nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp).
A manifestação chegou a ocupar 12 quarteirões da Avenida Paulista, segundo a Folha de S.Paulo, abrangendo grande parte dos 2,8 quilômetros de extensão da via.
Segundo o ICL Notícias, por volta das 14h, os manifestantes já ocupavam as seis faixas da avenida e pelo menos três quarteirões. A concentração aumentou ao longo do evento.
A mobilização ocorreu uma semana após o primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Lula pede mobilização de eleitores que não votaram no primeiro turno
Durante o discurso, Lula destacou a importância de convencer os brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno a participar da próxima votação.
O presidente chamou atenção especialmente para os eleitores com mais de 70 anos, faixa etária em que o voto é facultativo.
“Nós tivemos quase 30 milhões de pessoas que não foram votar. Muita gente que tem acima de 70 anos não foi votar porque a lei não exige que vote”, afirmou.
Lula também defendeu que seus apoiadores conversem com familiares, amigos e conhecidos que deixaram de participar da votação.
“Nós temos a obrigação de conversar com as pessoas que acham que não têm mais direito de votar. Porque, se essa pessoa não quer votar por ela, tem filho, tem filha, tem neto, tem bisnetos e tem a pátria dela para cuidar. Portanto, temos que convencer as pessoas”, declarou.
A mobilização faz parte da estratégia da campanha petista para ampliar a participação eleitoral no segundo turno.
Ministros, governadores e estudantes participaram do ato
A manifestação contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (Rede).
Também participaram os governadores reeleitos Elmano de Freitas, do Ceará, Jerônimo Rodrigues, da Bahia, e Rafael Fonteles, do Piauí.
Entre as entidades responsáveis pela mobilização estavam a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
Movimentos sociais, partidos de esquerda e comunidades de fãs de artistas também participaram da organização.
Na última quarta-feira, Lula havia reconhecido dificuldades na campanha do primeiro turno. Em conversa com aliados, afirmou que o trabalho eleitoral ficou abaixo de suas expectativas.
“Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”, declarou.
Lula cobra votação do fim da escala 6×1
Antes da manifestação, Lula conversou com jornalistas e voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador tem um dia de descanso após seis dias de trabalho.
O presidente afirmou que a votação da proposta está prevista para quarta-feira (14) e cobrou um posicionamento da oposição.
“Já está conversado com o Alcolumbre. Já está marcada a data da votação. Portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é o seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor”, afirmou.
Lula também direcionou a cobrança ao PL, partido de Flávio Bolsonaro.
“O PL tem que dizer se ele é favorável aos trabalhadores descansarem mais ou quer que os trabalhadores continuem trabalhando mais. É isso”, declarou.
Presidente critica decisão do TSE sobre canal de Janones
Outro assunto abordado pelo presidente foi a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG).
A medida atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou o canal de divulgar desinformação contra o candidato. O espaço reunia mais de 3 milhões de membros.
Lula criticou a determinação e afirmou que sua equipe jurídica buscará esclarecimentos junto à Justiça Eleitoral.
“Eu acho um absurdo. Acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar, sabe, com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral”, declarou.
O presidente também afirmou considerar algumas decisões da Justiça Eleitoral prejudiciais à sua candidatura.
Após a suspensão, Janones criticou a medida e anunciou a criação de um novo canal no Instagram para reunir seus apoiadores.
Lula fala em inteligência artificial e segurança pública
Durante o evento, Lula também apresentou algumas das prioridades que pretende adotar caso seja reeleito.
Entre elas estão investimentos em inteligência artificial, desenvolvimento da indústria digital, transição energética e segurança pública.
“Nosso próximo mandato é para fazer uma revolução tecnológica deste país. A gente vai ter que formar muita gente em inteligência artificial. A gente vai ter que formar muita gente para a nova indústria digital”, afirmou.
O presidente também defendeu mudanças na segurança pública, com o objetivo de ampliar a proteção da população e combater a criminalidade.
Em outro momento do discurso, Lula criticou a atuação do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, especialmente sua postura em relação às recomendações científicas.
Atos em apoio a Lula também ocorreram em outras cidades
Além de São Paulo, apoiadores do presidente realizaram manifestações em outras cidades brasileiras neste domingo.
Em Campinas, no interior paulista, participantes se concentraram no Largo do Rosário e fizeram uma caminhada pela região central.
Em Belo Horizonte, manifestantes organizaram um bandeiraço na Rua dos Carijós, no Centro, antes de seguirem em caminhada pela Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena.
As manifestações ocorreram em meio à intensificação das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para o segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

Voto de Flávio contra o fim da escala 6×1 pode ser um ‘presente’ a Lula
O senador e seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, estão entre os principais opositores do fim da escala 6×1, enquanto aliados tentam impedir que o texto chegue ao plenário.Guilherme Bernardo | 08:36 – 11/10/2026

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