Grupo formado por Bernie Sanders e 30 deputados democratas enviou carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo que Washington respeite o processo eleitoral brasileiro e reconheça o resultado das urnas, independentemente de quem vencer a disputa presidencial de outubro
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Mundo / Eleições 2026
Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos pediu ao governo de Donald Trump que não interfira nas eleições presidenciais brasileiras e que se comprometa a reconhecer o resultado oficial do pleito de outubro, independentemente do candidato escolhido pelos eleitores.
A carta foi enviada na quinta-feira (24) ao secretário de Estado americano, Marco Rubio. O documento é assinado por 30 integrantes democratas da Câmara dos Representantes e pelo senador independente Bernie Sanders. Entre os nomes estão ainda Alexandria Ocasio-Cortez, Delia Ramirez e Pramila Jayapal.
Os congressistas dizem estar preocupados com o que classificam como um esforço coordenado da administração Trump para exercer pressão diplomática, econômica e política sobre o Brasil às vésperas da eleição.
No documento, eles pedem que o Departamento de Estado esclareça suas ações e assuma o compromisso de respeitar o processo eleitoral brasileiro e o resultado certificado pelas autoridades do país. As respostas foram solicitadas até 1º de outubro.
Tarifas e sanções entram na lista de questionamentos
Entre os episódios mencionados pelos parlamentares estão as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e as medidas adotadas contra autoridades do país.
Washington impôs neste ano uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos do Brasil, além de uma taxa de 12,5% aplicada a mercadorias de vários países. O governo Lula contesta as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e afirma que as medidas são arbitrárias.
Os congressistas também citaram as sanções impostas anteriormente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto ele participava de processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. As sanções aplicadas sob a Lei Magnitsky em 2025 foram retiradas em dezembro daquele ano, mas novas punições contra Moraes voltaram a ser discutidas pela administração americana em 2026.
A carta pede que o Departamento de Estado detalhe os fundamentos legais e as evidências utilizadas nas medidas contra o magistrado.
Classificação de PCC e Comando Vermelho também é questionada
Outro ponto levantado pelos parlamentares foi a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras.
A designação foi anunciada por Rubio em maio e entrou em vigor em junho. O governo brasileiro se posicionou contra a medida e argumentou que ela poderia prejudicar a cooperação bilateral na área de segurança e abrir espaço para ações consideradas incompatíveis com a soberania nacional.
A carta também questiona a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Os Estados Unidos afirmaram na época que a decisão foi uma medida de reciprocidade após o Brasil não aprovar formalmente o nome indicado por Trump para a embaixada americana em Brasília e negar vistos a integrantes do governo dos EUA.
Delegação dos EUA queria analisar sistema eleitoral brasileiro
Os parlamentares mencionaram ainda uma tentativa de integrantes do Departamento de Estado de viajar ao Brasil para analisar o sistema eleitoral.
Em julho, o governo brasileiro negou vistos a dois altos funcionários americanos que planejavam visitar Brasília. Segundo autoridades brasileiras ouvidas pelo Washington Post, havia receio de que a missão fosse usada para lançar dúvidas sobre a integridade das urnas eletrônicas antes da votação de outubro.
O Departamento de Estado confirmou que os funcionários pretendiam viajar ao Brasil, mas não detalhou publicamente todos os objetivos da visita.
Encontro de Trump com Flávio Bolsonaro é citado
O relacionamento entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, também aparece entre as preocupações dos signatários.
Flávio foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca em maio. O encontro, realizado durante a campanha presidencial brasileira, abordou temas como segurança pública, tarifas comerciais, minerais estratégicos e a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os parlamentares questionam se a administração americana adotou ou pretende adotar medidas destinadas a favorecer algum candidato na eleição brasileira.
Trump já declarou apoio explícito a candidatos em outras eleições latino-americanas. Em novembro de 2025, pediu votos para Nasry Asfura antes da eleição presidencial de Honduras. Em 2026, apoiou Abelardo de la Espriella na disputa presidencial da Colômbia. Os dois acabaram vencendo seus respectivos pleitos.
Lula falou sobre interferência estrangeira na ONU
A discussão ocorre poucos dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordar o tema da soberania durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Sem mencionar Trump nominalmente, Lula criticou interferências externas em processos eleitorais e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
“Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não podem ser obstáculos para maior integração entre vizinhos”, declarou.
Ao falar especificamente sobre as eleições de 4 de outubro, Lula afirmou que o Brasil terá um processo “transparente e competitivo” e disse que todos os candidatos dispõem de ampla liberdade de expressão.
“Sabemos que alguns abusam dessa liberdade para se associarem a interesses estrangeiros contrários ao país. Não subestimamos as redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha”, afirmou.
Lula e Flávio estão próximos nas pesquisas
O primeiro turno das eleições brasileiras será realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos válidos, o segundo turno acontecerá em 25 de outubro.
O agregador de pesquisas da BBC, atualizado em 23 de setembro, mostra Lula com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 38% no primeiro turno. Os intervalos das estimativas se sobrepõem.
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